Faces e Ganchos – Belregard: O Mosteiro de São Paolo

– por JEFFERSON NEVES

Saudações, Cães!

Estamos inaugurando uma coluna aqui no blog do Lampião, a “Faces e Ganchos”! A ideia é apresentar personagens do narrador (NPC’s ou PDM’s), ou localidades, que possam ser utilizados em suas mesas, com ganchos e ideias de histórias. Nossos jogos mais encorpados, que contam com cenários (como Belregard, NeoGhaluni, Pesadelos Terríveis, etc) serão mais propícios para esse tipo de material, mas nada impede que jogos mais soltos (Saqueadores do Destino, Duello, Desafiantes, etc) também recebam esse tipo de material, como uma boa, simples e direta semente de aventura. Para estrear, falaremos de Belregard!

O Mosteiro de São Paolo, Birman

Localizado no território de Birman, o mosteiro é famoso por abrigar um distinto secto dentro da fé, o dos Haskelitas. Inspirados pelo sábio que viveu nos dias em o Criador caminhou entre os homens, estes monges e sacerdotes dedicam suas vidas a investigar, registrar e catalogar as atividades humanas no mundo. Uma tarefa abrangente e penosa, que faz com que os Haskelitas se espalhem pelos quatro cantos de Belregard, sempre envolvidos em assuntos importantes.

Diante da divisão pela qual o Criadorismo passou, encarnando os três aspectos dos Puros, a ordem dos haskelistas surge como um ramo menor dentro do Lazlismo e sua busca pelo conhecimento. Quando uma relíquia, ou um local sagrado é descoberto, é comum que se peça a ajuda destes sacerdotes. O prior encarregado da congregação atende pelo nome de Jano. É um homem taciturno e de poucas palavras, direto e objetivo. Passa pouco tempo entre os demais monges, preferindo o isolamento de sua sala no scriptorium.

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Entre as montanhas comuns no leste de Birman, o mosteiro ocupa uma ampla área, além de ser assistido por uma pequena comunidade espalhada pelos pontos seguros da montanha, de onde vem boa parte do que mantém a vida nessa região. As plantações são parcas e além dos tubérculos, devido ao terreno escasso, se consegue uma quantidade pequena de grãos para uso local. Os vinhedos mostram-se atrativos ao comércio com outras cidades; devido a dificuldade, o Vinho São Paolo tornou-se uma iguaria rara. Pastores de cabras são comuns, fornecendo materiais diversos para o uso diário no mosteiro, como leite.

Por trás da muralhas de pedra, o mosteiro se divide em três prédios principais. O maior e mais suntuoso é a capela onde se encontram as relíquias recuperadas pela ordem. A mais importante delas é o Coração de São Paolo. Acredita-se que o santo tenha resistido a corrupção da Sombra, que tentou se apossar de seu corpo de forma que todo ele tornou-se escuro como a noite, salvo o coração incorrupto, que ainda se encontra vermelho e pulsante no relicário sob a capela. Este objeto por si só atrai andarilhos, curiosos e devotos que fazem seu caminho por estradas perigosas e grupos de peregrinação, geralmente liderados por um padre penitente, a fim de pedir por boa saúde ao tocar o relicário do coração, que se mantém fechado.

Ao fundo do terreno do mosteiro, próximo ao paredão rochoso natural, fica um alongado prédio de pedra destinado aos monges. Suas celas se localizam lá, uma para cada, além de um largo refeitório. O centro da estrutura é aberto, servindo de claustro para os monges, uma área gramada que até mesmo se contrasta com o cinza do restante do ambiente. O irmão Acácio, velho e delicado, cuida da organização dos dormitórios, mantendo a simplicidade para todos os devotos, e do depósito.

Por fim, uma alta torre circular serve como scrpitorium, onde os monges podem se dedicar as suas pesquisas, localiza-se a biblioteca e ficam guardadas alguns dos objetos recuperados pelos Haskelitas ao longo dos anos. O primeiro andar serve de área comum, capela e depósito. O segunda andar é reservado à biblioteca e aos copistas, com suas mesas juntas às paredes, para aproveitar a luz do sol que entra pelas janelas. O terceiro andar pertence ao prior, que passa seus dias recebendo moradores, atuando como castelão, exercendo ele mesmo o papel de copista ou entalhando madeira, um passatempo particular. Seu auxiliar direto, irmão Orazio, cuida da biblioteca.

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A segurança do mosteiro é organizada por dom Borislav, um velho e temperado soldado igslavo, nomeado Cavaleiro Sacro e colocado em merecido descanso na região. Ele comanda um grupo pequeno de cavaleiros iniciados, junto de soldados leigos para proteger o mosteiro. Suas forças se concentram nas estruturas juntas à muralha, a maior parte de pedra e telhados inclinados. É também onde se localizam as oficinas de produção, apenas o moinho ficando fora, numa caminhada de cinco minutos, no campo mais aberto da montanha, onde o vento sopra inclemente.

Como Utilizar o Mosteiro de São Paolo?

O mosteiro serve como ponto de partida, como porto seguro para qualquer tipo de jogo, mas especialmente aqueles que envolvem a religiosidade. Talvez seus personagens sejam todos membros da igreja, com cargos menores, podendo contar com a presença de alguns homens de armas, vassalos de dom Borislav que precisam realizar um serviço para a ordem. Abaixo seguem dez ideias de ganchos envolvendo as faces do mosteiro:

• O grupo, com pelo menos um personagem religioso, é incumbido de investigar o boato de um pequeno milagre nas casas dos camponeses na montanha. Aparentemente, uma menina foi capaz de curar o irmão da praga. Seu milagre teria relação com o azedar do leite sentido em todo o mosteiro?

• Um prisioneiro chegou ao mosteiro, trazido por membros da ordem que haviam partido em missão. Ele alega inocência e precisa provar antes que os Oradores cheguem para o julgamento. Ele é capaz de falar verdades sobre uma pessoa, simplesmente olhando em seus olhos. Verdades inconvenientes.

• O prior Jano suspeita que algumas obras raras presentes no mosteiro estejam sendo roubadas. A presença de comerciantes no local é muito rara, assim como a de outros visitantes, penitentes ou não. Que intuito teria o roubo? Todos se lembram da tragédia de irmão Santino que, louco, comia páginas escritas, para absorver saber.

• Um novo artefato acaba de chegar ao mosteiro, recuperado por membros da ordem. Trata-se do Dente de São Halegar, um santo que havia lutado na guerra da conquista de Belghor. Desde que o artefato foi guardado na capela, coisas estranhas começaram a acontecer. Os mais sensíveis tem sonhos com presas sangrentas.

• Irmão Acácio viu uma movimentação suspeita pelas muralhas do mosteiro em uma das noites em que perambulava pelas celas, durante a madrugada. Ninguém acredita, porque ele é muito velho e medroso. Acácio gosta do medo que sente, porque o vulto era seu amante, um camponês caçador que vive fora das muralhas. Ele deixa coisas escaparem de vez em quando. Sabe dos segredos dos outros e se sente seguro por isso.

• Irmão Orázio descobriu, entre os livros da biblioteca, alguns antigos tomos que versam sobre os costumes da Horda, os antigos costumes dos povos selvagens não tocados pelo Criador. Ritos de fertilidade, louvor ao corpo e à liberdade. Orázio procura jovens camponesas pra colocar algo em prática.

• Dom Borislav está velho e, apesar de apreciar o descanso que recebe no mosteiro, teme o momento em que terá que passar seu posto adiante. Se esforça para parecer firme diante das outras autoridades e começa a abusar dos abaixo de si, especialmente jovens promissores. O acidente com o escudeiro Adrik pode não ter sido tão acidental.

• Uma coluna de devotos está em marcha para pagar promessas no mosteiro, para tocar no relicário. As notícias que chegam, do pé da montanha, é de que eles estão loucos. São guiados por uma figura cega que diz ver a verdade e assim justifica os sacrifícios dos outros, transformando os fiéis em rapinadores, saqueadores, estupradores e profanadores. Eles estão chegando.

• Uma série de assassinatos ocorre por trás das muralhas do mosteiro. Os monges fazem o possível para manter a notícia longe dos olhos do povo simples. A cada nova morte, ela é relacionada a uma das provações. O primeiro a morrer foi o irmão Tobias, acusado, pelo misterioso assassino, de gula, encontrado com o ventre em ponto de romper, inchado de vinho e pão.

• A guerra entre Birman e Vlakir é do conhecimento de todos e quando um comerciante vlako chega ao mosteiro para comprar alguns barris de vinho, alguns cogitam a ideia do envenenamento. Uma vitória simbólica, mas uma vitória para o Criador.

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PS – As imagens utilizadas na postagem são do filme O Nome da Rosa. Optei porque é um dos livros, de Umberto Eco, que me inspirou muito na criação de Belregard!

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3 comentários em “Faces e Ganchos – Belregard: O Mosteiro de São Paolo”

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