Sombras Urbanas e exemplos da mídia!

Salve, pessoal, beleza? Vocês já devem estar sabendo que está rolando a campanha de financiamento coletivo (www.catarse.me/sombrasurbanas) de Sombras Urbanas, lançamento Aster EditoraLampião Game Studio. Mas uma das coisas que muita gente pode se perguntar é que histórias podem rolar durante as partidas de jogo Sombras Urbanas, ou seja, que tipo de jogo Sombras Urbanas pode ser. É claro, você não vai querer colocar a mão no bolso e pagar por algo que não conhece.

Mas pera lá, a gente já falou um pouco sobre isso nesse artigo, quando falamos das relações entre Sombras Urbanas e xxx Holic, uma animação de sucesso do grupo Clamp. Mas é hora de expandir os horizontes. Vamos nessa?

mokona_in_xxxholic_by_anchorruffy-d5y3wpq[1]
Um típico cenário de fantasia urbana

Mas eu quero saber das regras!

Ah, vale deixar claro aqui que esse não é um texto tão focado em nuances mecânicas, regras ou sobre a estrutura na qual Sombras Urbanas foi erigido. Há um repositório de artigos nesse sentido no Medium de Sombras Urbanas, e também na lista de reprodução de Sombras Urbanas no canal do youtube do Lampião.

Aqui nós vamos falar de forma mais leve sobre o clima, o tom e algumas referências que Sombras Urbanas traz para as suas mesas de jogo.

Desenhando a Cidade e os Locais de Poder

Para jogar Sombras Urbanas a primeira coisa que você deve ter em mente é que a Cidade tem de ser viva, muito viva. Sim, você pode imaginar uma cidade que você conhece, pode ser a sua e até há algumas recomendações para isso, mas o foco das histórias é uma virada, algo além para essa Cidade que você imaginou. Por quê?

Porque há fantasia ali.

Sim, a grande sacada é imaginar um contexto, um cenário povoado por seres sobrenaturais, humanos super capazes ou mesmo algo que poderia ser tomado como lendas urbanas (como fantasmas). Essa Cidade pulsa, tem seus guetos, suas áreas de interesse, seus points, ou melhor Locais de Poder, conceito usado em Sombras Urbanas.

Resultado de imagem para witch hunter robin waitress
O Harry’s Cafe de Witch Hunter Robin é um bom exemplo de Local de Poder, conceito de Sombras Urbanas.

Um Local de Poder pode ser um bar, uma cafeteria, uma boate, um monastério. Qualquer local onde “as coisas acontecem”, onde houver conversas interessantes, onde as diferentes Facções (Mortais, Noturnos, Potentes e Selvagens) tratam de seus problemas. É um ponto de encontro, mas é mais que isso. Grande parte das Dívidas são cobradas lá, as pistas para histórias podem ser passadas por meio desse local e o pior, até as Ameaças podem brotar dali.

Temos inúmeras obras de Fantasia Urbana que dialogam com o tipo de jogo que Sombras Urbanas trata. Você pode pensar em The Dresden Files (Jim Butcher), mas os autores nacionais Ana Cristina Rodrigues, Carlos Orsi, Eric Novelo e muitos outros podem ser colocados como ótimas referências para o Sombras Urbanas. Não se preocupe, Sombras Urbanas vai te pegar pela mão e te dizer como esse gênero funciona. Se você curte literatura, há uma entrevista com Eric Novelo que explica bem o “tom” proposto, mas vamos tratar um pouco sobre como a Fantasia Urbana é tratada em Sombras Urbanas a seguir.

Sombras Urbanas trata esse “povoamento” e “urbanismo” da Cidade de uma forma bem legal. Há várias perguntas e elementos do sistema que ajudam os jogadores a criarem esses pontos para suas personagens, enquanto o Mestre de Cerimônias (como é chamado o Narrador pelo sistema) também possui uma série de ferramentas para colocar vários, vários pontos interessantes para as histórias se passarem. Até porque muitos já devem estar um pouco acostumados com missões que saem de tavernas, não é mesmo?

A Fantasia Urbana

Vamos além, vamos falar das personagens dos jogadores. Ainda que para a população em geral Vampiros podem não existir, todos protagonistas do jogo não são ingênuos, eles sabem da existência do sobrenatural e estão imersos nela. Mas não pense que, necessariamente serão uma equipe. Cada um possui uma agenda, uma forma de agir. Pense bem, um Vampiro experiente como Angel (do seriado mesmo) teria a mesma conduta ante um inimigo que um Lobo, como os de Teen Wolf?

Resultado de imagem para angel série
Referências? Sim, temos várias por aqui. 🙂

Pensar em Sombras Urbanas então não é tomar o sobrenatural como fonte do medo. Sim, isso pode até ocorrer, em momentos pontuais, mas o sobrenatural é como se um “tempero especial”, o que “sustenta as cordas”. Hum… mas então você deve estar pensando que jogar com um monstro como um Vampiro é muito melhor (e maneiro, rs) que com um humano, com um Mortal? Não exatamente. E pra isso a gente precisa falar das Facções.

Facções, então é uma contra a outra?

Sombras Urbanas divide, classifica os “tipos” que vivem na Cidade em 4 Facções. Todas possuem prós e contras, há rixas internas e alianças. Isso quer dizer nem todos os Mortais são unidos, bem como nem todos os Noturnos. E pra ficar mais divertido ainda, os Vampiros (que são Noturnos) também podem se agrupar em clãs, associações, partidos, etc. Ou seja, se você quer um jogo com alto potencial de diversão justamente por ter esses jogos internos pelo poder, Sombras Urbanas fala com você.

Ok, legal, e as Facções em si?

Os Mortais são humanos sem capacidades sobrenaturais. Sim, são a maioria. Mas não pense que são “fracos” por isso. Eles transitam bem por qualquer lugar e normalmente são os melhores para tratar de coisas mundanas. Coisas mundanas? Sim, a sua FAE tem de ter um emprego, pagar o Imposto de Renda, essas coisas. Acho que ela não é tão boa quanto uma Mortal pra resolver a burocracia, a temida burocracia, rs. Sombras Urbanas possui 3 arquétipos de Mortais: A Caçadora (“eu mato monstros, yeah”), A Ciente (“eu sei de tudo, conheço gente que sabe e ainda posso te ajudar a resolver isso”), e A Veterana (“ok, faz tempo que saí dessa vida, mas tenho um brinquedinho que pode te ajudar. Vai demorar um tempo para eu fazer ele, mas saiba que você me deve uma por isso”).

Resultado de imagem para garo vanishing line Sophie
Sophie em Garo Vanish Line é uma Ciente que começa a se embrenhar mais e mais em torno de sua busca pelo Eldorado.

Os Noturnos são criaturas que em algum momento foram humanas, mas se tornaram algo não natural. Pense em um monstro que foi humano e você encontrará um Noturno. Eles possuem “um pé na mortalidade”, mas tem de lidar com os seus negócios da noite, afinal, é isso que os define agora. Sombras Urbanas traz ao jogo o Vampiro (“eu vou usar você, você sempre vai ter de voltar até mim e eu vou me alimentar de você”), o Lobo (“esse é meu território, esses são parte da minha alcateia e é bom você ficar por aí”) e o Espectro (“eu deveria ter desencarnado completamente, mais ainda tenho assuntos a resolver por aqui”).

Mrs. Truman (Twin Peaks) seria um bom exemplo de Espectro.

Os Potentes são usuários da magia. Por bênçãos, treinamento, dom ou até maldições, esses por vezes se corrompem por flertarem com forças maiores que as que podem dominar. Em Sombras Urbanas temos a Maga (“eu tenho o poder para modelar o mundo”) e a Oráculo (“sinto o passado, compreendo o presente e tenho visões do futuro”). É bem tentador jogar com os Potentes, mas é igualmente arriscado.

Resultado de imagem para witch hunter robin
Robin Sena, uma Maga poderosíssima.

E temos também os Selvagens, que são os “estranhos”, “diferentões”, gente que não é exatamente desse mundo, que flerta com outros planos, forças, coisas que realmente não são daqui. Pense em fadas, demônios ou algo que o valha. Os Selvagens costumam ter um comportamento atípico (ultraconcentrado e corporativo ou super largado). Sombras Urbanas traz como Selvagens o FAE (“vim de uma corte de feérica, conheço faunos, pixies e outros seres oníricos”) e o Maculado (“sim, eu fiz um pacto com o ‘patrono’ e agora tenho uns poderes especiais, ah, e cheiro de enxofre também”).

Resultado de imagem para motoqueiro fantasma
Sim, o Motoqueiro Fantasma é um baaaita exemplo de Maculado.

“Ok, já deu pra ter uma boa ideia das Facções, mas eu não entendi direito quando você falou que cada um possui um interesse, uma agenda própria.” Então, esse é o trunfo de Sombras Urbanas. Ainda que possa parecer muito difícil amarrar um jogo com modelos de personagens tão distintos, esse jogo faz com que:

a) A divisão de Facções não soe como artificial, mas se encaixe muito bem na proposta do jogo. Você vai “pegar o sentido” das facções assim que notar que elas são Atributos! Você uma pontuação em cada uma delas e quando vai lidar com a galera de outra facção, isso entra nas Manobras (como o lance de dados é chamado no jogo).

b) Haja uma grande diversidade na Cidade, estimulando a proatividade dos jogadores por meio de uma coisa genial que faz “o jogo andar”, a mecânica de dívidas.

Jogando com um exemplo: Garo, Vanish Line

a
Informação é poder! – Garo, Vanish Line, episódio 3.

Garo, Vanish Line é uma animação que possui alguns dos arquétipos de Sombras Urbanas. Uma alquimista/sacerdotisa Makai (à direita) seria uma Maga (Potente) sem muito esforço, enquanto o brutamontes à esquerda é um cavaleiro Makai, um típico Caçador, com uma armadura especial (facilmente portada para a cartilha de Caçador). Mas o que está rolando nesse diálogo é uma típica interação de personagens de Sombras Urbanas. Mas hein?

Gina, a Maga, tinha acabado de chegar à Russell City, uma cidade nos moldes dos EUA. Ela tinha seus interesses, seus compromissos. Então pediu ajuda à Sword, o Caçador daquela área. Mas as coisas não são tão simples assim em Sombras Urbanas.

Aqui, tudo tem um preço.

Você já deve ficar acostumado, pois em Sombras Urbanas tudo tem um preço. E Sword se envolveu com a investigação após Gina Cobrar a Dívida antiga. E apenas após isso eles juntam as forças. Isso é uma Manobra, uma ação que é feita em jogo. Todos jogadores começam devendo e tendo dívidas com outros personagens (de jogadores ou do Mestre de Cerimônias). Então, o simples “lidar com seus problemas” vai fazer com que “um grupo de jogo” se forme durante a partida.

Ok, ficou um pouco truncado, difícil. Explico com outras palavras.

O Mestre de Cerimônias não vai precisar criar grande arcos para ligar todos os personagens. E isso é SUPER convidativo para quem é inibido a narrar. Sim, é muito fácil conduzir as partidas de Sombras Urbanas, sacando qual é a proposta dele. Isso porque o sistema de jogo “encaixa” as histórias e dá sentido a uma grande trama de Ameças em torno da Cidade. E nesse jogo, cada movimento vai te reposicionar no grande tabuleiro de disputas. Afinal, todo mundo quer que outros fiquem devendo, pra poder ter ajudas em momentos onde o calo aperta. Mas não se aflija, isso não vai criar jogos competitivos. As personagens vão lidando naturalmente, efetuando Manobras, agindo interpretando. Acredite, é beeeeem fluido.

Ameaças? A Fantasia Urbana pode tornar as coisas mais interessantes!

Ok, é bem comum pensar em Ameaças como monstros ou forças tentando tomar conta da Cidade. Sim, é uma Ameaça possível, mas você pode pensar em alguma coisa conspiratória, uma notícia de jornal da sua Cidade ou mesmo um acontecimento político com um fagulha de fantasia, e isso vai gerar uma grande partida de Sombras Urbanas.

Sabe aquela casa que está há anos para ser derrubada para a construção de um prédio ou um shopping? Lá pode habitar uma antiga Veterana e o empresário que quer tomar aquele território é um Maculado que vendeu sua alma pra ganhar mais e mais dinheiro. Ocorre que a região é protegida por uma alcateia de Lobos que sempre lidaram bem com a Veterana. Do outro lado da rua há uma pequena venda de produtos naturais, na verdade um boticário sobrenatural de uma Maga que presta vários serviços à comunidade. Veja, nesse exemplo temos um Lobo (Noturno), uma Maga (Potente) e uma Veterana (Mortal) lidando com uma Ameaça de Território (há vários tipos de Ameaças que ajudam MUITO o Mestre de Cerimônias a criar as aventuras), tendo o seu centro as ações do Maculado (Selvagem, Personagem do Mestre).

Algo que parece simples, uma remoção de uma casa pode ser uma boa semente de aventura, e quem sabe o início de uma campanha. Quais seriam as ações que o Maculado empresário teria? A solução seria apenas a violência ou alguma espécie de acordo poderia ser feito? Será que o Maculado não tem inimigos? As personagens podem se aliar a estes inimigos para atacá-lo ou, lutando pelo Maculado poderiam garantir sua moradia. Tantas, tantas ideias podem sair de uma semente tão simples, não é mesmo?

Referências!

Pra fechar esse texto, deixo claro que eu dei alguns exemplos aqui pra pegar o clima do jogo, mas Sombras Urbanas possui referências e exemplos de músicas, séries e livros para TODOS os arquétipos, para todas as cartilhas. É incrível. Você termina de ler, ouve as músicas, conhece as referências (muitas são bem conhecidas) e você está bem no clima que o jogo propõe.

Por exemplo, essa aqui é uma referência musical para o FAE. Que tal?

Anúncios

Um comentário em “Sombras Urbanas e exemplos da mídia!”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s